O conflito da Costa Nova

"O Ilhavense", 1922-03-12

 Sr. Redactor


Tendo visto no jornal a «Beira-Mar» a desfaçatez como querem armar em vitimas as pessoas apontadas como agressoras dos infelizes Ricoca, Pataneca e Genrinho e cobardemente feridos a tiros de pistola na Costa Nova do Prado, cumpre-me, para esclarecimento da verdade e para levantar o repto petulantemente lançado aos visados, informar o publico de que é falso todo o arrazoado que o cabo Pina assinou e mandou publicar no citado jornal, pois os factos são o que são não e aquilo que nós queremos que eles sejam. No tribunal, apezar da esperteza saloia dos agressores  acusarem toda a prova testemunhal para assim a inutilizar, se verá quem desgraçada e tristemente concorreu para a tragédia, porque o foi, da noite de 13 de fevereiro proximo passado.

Pela parte que me diz respeito, a mim, que na ocasião aguardava o leito, por doença, mas a quem indirectamente e de preferencia desejam alvejar, tenho a dizer que desse amontoado de mentiras apenas protesto indignadamente contra aquelas que me ferem no meu brio de cidadão e modesto negociante, tendo a dizer ao autor da defesa que se a minha casa de negocio é uma espelunca, espeluncas são todas as congeneres da Costa Nova, porque a diferença de taberna para taberna não é tanta como a que vai de um simples cabo do mar a um modesto cabo de cassoira. E nesta casa, que é livre e inviolavel pelas disposições da Lei e Constituição da República, pode-se falar e discutir em família sem chamar a atenção de ninguem nem rpovocar o escandolo dos trnaseuntes. Escandaloso e condenavel é ir alguem escutar o que cada um diz em sua casa, para injustamente o enxovalhar por palavras mal compreendidas e recatadamente proferidas portas a dentro. A infeliz defeza feita ao cabo Pina demonstra essa verdade, autenticamente verdadeira e voluntariamente provada, no seu precioso e arquivado n.º 5, para honra e gloria dos seus autores.

Resta falar a Justiça da Comarca de Aveiro. Até lá vamos esperando confiados em que ela se fará imparcial e recta, para que a verdade triunfe e a mentira se confunda. Pede-o o sangue das vitimas, entre elas a dum inocente de 12 anos que com erteza nada tinha com as lucidas criaturas que cegamente disparavam.

Desculpando, sr. Redactor, o espaço que lhe ocupo no seu conceituado jornal, assino-mo com respeito e consideração

De V. Ex.ª Mt.º Ob.º

Costa Nova, 1 de Março de 1922.

Manuel Francisco Cabelo

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