Lutuoso aniversário

"O Ilhavense", 1922-02-26
Faz no próximo dia vinte e sete um ano que para sempre desapareceu do numero dos vivos, o homem de bem e clinico sabedor que se chamou em vida, dr. Joaquim Machado da Silva.
A Parca, estendendo os seus esqueléticos braços, roubou-o ao convivio da familia amantissima e dos amigos numerosos.
Já lá vai um ano! E, no entanto, parece-nos que foi ontem que nós, com os olhos marejados de lágrimas, assistimos à manifestação de saudade que, numa derradeira homenagem, ricos e pobres quizeram prestar, acompanhando os seus restos mortais à sua ultima jazide, áquele que fôra sempre o amigo sincero e dedicado duns e doutros; áquele que, pelo seu feitio altruista, gastava mais o seu tempo com os segundos - que, a maior parte das vezes, só lhe podiam pagar com bençãos os seus serviços - do que com os primeiros; dos quais, muitas vezes, recebia a paga dos seus serviços, indo muitas vezes deixa-la, convertida em esmola bendita, no tugúrio de qualquer infeliz que nem forças tivesse para vir à rua solicitar da caridade um bocado de pão.
Homens com a envergadura moral como tinha o dr. Machado, jámais dos que o estimavam; dos que lhe eram queridos.
Nós, de quem o saudoso extinto foi um grande e sincero amigo, jamais deixaremos, neste dia, de recordar com saudade a sua memoria, e de relembrar os muitos favores que, desde a sua vinda para Ilhavo, até à sua morte, dele recebemos.
Paz à sua alma, e à sua ilustre familia os nossos cumprimentos de profundo respeito.
V. Alegre, Fevereiro de 1922.
SENUTNA.
 

Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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