Bilhete postal

"O Ilhavense", 1922-02-26
Os retratos, novo rico, tinha a mania dos retratos e tambem doido pelas mulheres... mais tarde casou e continuou com a mesma ideia.
Um seu amigo, homem grave, observou-lhe uma vez:
- João, você anda muito tentado pelas saias...
- Eu? - atalhou-o conquintador - mas... se eu até nem gosto de ver as mulheres com saias?!
Com esse temperamento e esse costume, o nosso amigo tornou-se conhecido no meio social onde vivia.
E tais coisas ele tem feito, quer com as crioulas, quer com as visitas, que a meiga esposa resolveu tomar uma resolução. Saiu e alguns dias depois voltou ao lar com um grande pacote debaixo do braço.
Eram fotografias da virtuosa e linda senhora, que ela mesma, com um martelo e um maço de prégos, começou a pregar pela casa.
Na sala de visitas, onde já havia dois de grande tamanho, pregou seis; na sala de jantarm cinco; na cópa, tres; e em todos os compartimentos começou a pregar retratos.
Quando o esposo chegou a casa e viu aquela ornamentação original, indagou, na suposição de que a mulher tivesse enlouquecido:
- Ofélia! Ofélis! que maluquice é essa? Que é isso, filha? A mulher não se espantou; chegou-se para o marido, e ainda com o martelo na mão, bradou-lhe, sem conter a colera:
- Sabe para que é isso? É para ver se você se lembra, ao menos em sua casa, que é um homem casado!...
E agarrando o maço de pregos, partiu, para pregar o ultimo retrato na cosinha.
Zé do Adro.

Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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