À roda duma proposta
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| "O Ilhavense", 1922-03-19 |
Oxalá em breve se constate que a digna Câmara conseguiu o que deseja e possamos ver recolhidos da chuva e do frio tantos e tantos ilhavenses - diz um conterraneo nosso, distinto professor num instituto superior.
Não vejo inconveniente algum em instalar o Asilo num dos pavilhões do Hospital - diz o nosso amigo sr. Joaquim Pereira Leite.
Deve atender-se a ideia bela e nobre do sr. Diniz Gomes - diz o nosso colaborador sr. João de Matos
O nosso inquerito continua a despertar todo o interesse aos nossos leitores e conterrâneos. As opiniões dividem-se, mas, em todas há o máximo empenho e o grande desejo de acertar para bem da nossa terra.
Meu caro Teles
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Quanto à questão suscitada, muito a proposito, nas colunas de O Ilhavense, eu devo dizer-lhe que foi co prazer que li a proposta que a Câmara fez à Direcção do Hospital.
Pois não é preferivel quee uma das dependências daquele edificio seja utilizada em fim tão humanitário e cristão, a ter de ficar às moscas ou ser aplicada para outros fins, nunca de tal magnitude e importância?
Se os doentes da nossa terra, que queiram utilizar-se do Hospital, não enchem toda a casa, não sei por que motivo não há-de satisfazer-se o desejo da Câmara.
Diz-se que em caso de epidemia o edificio seria ainda pequeno para comportar todos os doentes. De acordo. Mas contra essa possiilidade ergue-se o facto positivo, imediato, da caridade a exercer para com os inválidos. Argumentando a pari deviamos tambem dizer que o cemiterio devia ocupar uma área muito superior áque a que ocupa, pois no caso duma epidemia prolongada, não chegaria tambem.
De resto, suponho que a ex.ma Câmara não quererá ocupar, perpetuamente, a dita dependencia para asilo de inválidos, mas tão sómente enquanto os doentes forem em número reduzido ou não ha a fundos para sustentar todos os que poderiam encher as enfermarias.
Esta a minha opinião.
E oxalá que em breve se constate que a digna Câmara conseguiu o que deseja e possamos ver recolhidos da chuva e do frio tantos e tantos ilhavenses que vegetam por essas ruas sem terem duas folhas com que possam cobrir-se.
Patricio, etc.
P.T.S.
Meu caro Teles
A quási todas as pessoas que aí me tem falado ácerca do Hospital tenho ouvido isto - é grande de mais!
Pois se o é, porque não utilizar um dos pavilhões para o falado asilo?
Não ficarão bem, naquela Instituição de Caridade, o Asilo e o Hospital?
Não haverá até vantagem em os asilados terem, ali mesmo, os socorros médicos de que careçam num dado momento?
Pensar já na construção dum edificio para aquele fim, o que quere dizer em abrir novas subscrições, fazer mais festas, etc., etc., acho cedo. - Devagar...
Não vejo, pois meu caro Teles, inconveniente algum em instalar o asilo num dos pavilhões do Hospital.
O teu muito amigo
Luzo, 6-3-922.
J. Leite
Sr. Director
A minha opinião quanto à proposta apresentada numa das ultimas sessões da nossa Câmara pelo seu digno presidente, sr. Diniz Gomes, sobre a apropriação da parte sul dessa casa de Caridade a um hospicio para inválidos, é a seguinte:
- Deve atender-se a ideia bela e nobre do sr. Diniz Gomes que é bem acertada, pelo que não posso deixar de a aplaudir, felicitando-o. Bme póde haver quem discorde dessa excelente idea, alegando ser o Hospital pequeno para a adaptação do hospicio. Mas não é. E a razão por que o não é, está em o público dizer a cada passo que ele é grande, apesar do nosso concelho ser bastante populoso.
Ilhavo, Março de 1922.
João de Matos
Em números subsequentes publicaremos as opiniões que já temos em nosso poder e que as que, porventura, ainda nos sejam dirigidas.

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