A reunião de hoje - Ouvindo opiniões
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| "O Ilhavense", 1922-05-03 |
A REUNIÃO DE HOJE
Ouvindo opiniões
O Hospital deve ser só Hospital e nada mais,
diz o nosso conterrâneo sr. Marcos Ramalheira
A notícia dada pelo "Ilhavense", sobre a proposta da Camara para ser transformado em asilo para inválidos uma das dependências do nosso Hospital - assunto que hoje deve ser ventilado em assembleia geral, visto a Direcção daquela casa de Caridade não desejar tomar sobre os seus ombros a responsabilidade da resolução, - apaixonou a opinião pública que se divide em pareceres que « O Ilhavense » irá colhendo no desejo de contribuir tanto quanto possível para harmonizar essas opiniões com os interesses do Hospital. O primeiro a acudir ao nosso apelo, foi o nosso querido Amigo de infância sr. Marcos Pereira Ramalheira, que se encontra em Lisboa desde muitos anos, masa quem muito interessa tudo o que por aqui se faz em prol do progresso desta sua terra natal.
Outras opiniões iremos publicando pela ordem que chegarem à redação - isto sem qualquer contrariedade à proposta da Camara ou à resolução que porventura logo seja tomada em assembleia geral.
Sobre o assunto de tanta magnitude, bom é que todos digam da sua justiça para que de futuro não venham a recair sobre a Direcção do Hospital suspeitas ou recriminações infundadas.
Num meio critico como é o de Ilhavo, bom é que resoluçóes como a que logo se vai tomar no Hospital, signifiquem conscienciosamente o sentir da maioria dos que para aquela casa teem contribuido com as suas esmolas, e não apenas o de qualquer monoria habilidosa. Nem mesmo a Camara Municipal deste concelho procurará acintosamente levar de vencida o seu desejo, visto que a sua proposta se baseia apenas no seu grande interesse que mostra em fazer com que aquela casa de caridade começe o mais breve possivel a produzir os seus frutos filantrópicos. Podemos afirmar categoricamente que se a resolução da maioria da assembleia geral for contraria à proposta da Camara, nem por isso esta deixará de auxiliar - as obras do Hospital , que tiveram o maior incremento desde que a edilidade começou olhando para elas com amor, com generosidade, com simpatia.
O nosso fim ao abrir este inquerito para o qual pedimos a opinião de todo o ilhavense - ausente ou que resida em Ilhavo - é evitar quaisquer questões futuras e fazer com que a resolução da assembleia geral seja a genuina opinião da maioria dos que tem contribuido com a sua esmola para as obras do Hospital.
Tem, pois, a palavra nesse inquerito o sr. Marcos Ramalheira:
"O que a Camara quere fazer, é muito bonito, digno mesmo de elogio. Mas eu não concordo e se estivesse em Ilhavo e assistisse à reinoão que se vai fazer, havia de sustentar esta minha opinião. É preciso não desistir do objectivo do Hospital. Foi para o Hospital que se pediu e para o Hospital deve ser.
Se o que a Camara pretende fazer é a titulo provisorio, está bem que o Hospital ceda as suas dependencias enquanto a Camara não arranja casa apropriada. Como coisa efectiva, porem, não e não!
Dizem que o Hospital é grande de mais para a terra. Tambem a igreja, quando foi construida, era grande demais e no entanto, hoje, denota-se que é pequena para a população.
E depois o Hospital deve ter a capacidade precisa para receber doentes em ocasião de epidemias, como a pneumónica e tantas outras.
A Camara o que deve é abrir, desde já. uma subscrição para a edificação de uma casa para o fim da sua proposta e se o fizer pode, desde já, contar com o meu óbulo de 100$00 (cem escudos).
Nada de transformar o Hospital em outra coisa... que não seja o Hospital. Nem arrecadação de lenhas, nem teatro, nem bailes.
É preciso que "O Ilhavense", com a independencia que o caracteriza, levante a questão com altivez e sem desfalecimento."
Assim reza a carta que daquele nosso amigo acabamos de receber.
Quem mais dá a sua opinião?

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