A mulher de Ilhavo

 Uma simpática menina da nossa terra corre em defesa do seu sexo, respondendo ao nosso colaborador «Zé do Adro»

"O Ilhavense", 1922-03-12
Senhor Director do «Ilhavense»


Como já várias vezes me tem acontecido, prendeu-nos tambem deveras a atenção o artigo do ultimo número do seu jornal intitulado «A nossa mulher».

Lamento, como verdadeira filha de Ilhavo que sou, que a pouca educação do meu sexo dê ensejo para que sejamos continuamente amesquinhadas; e lamento não menos que os nossos ex.mos patricios, (talvez que rebaixam mais o nosso merecimento) não sejam os primeiros a civilizarem-se para que lhe possamos seguir o exemplo! Porque, senhor Director, como pode a mulher ilhavense ter educação se o homem da nossa terra, salvo raras excepções, que tinha como um dever sagrado ser nosso auxiliar em tão árdua tarefa, nem sequer o sentido dessa palavra conhece?

Julgo pois, um absurdo tentarem instruir-nos com tais conversações amigaveis no seio das famílias sem que alguns dos nossos compatriotas aquiram uma civilização suficientemente sólida para que não estejamos sujeitas a ouvi-los, a sumir se-nos a terra debaixo dos pés com as constantes grosserias que tão habituais lhes são.

Ficando hoje por aqui, subscrevo-me com a máxima consideração e respeito

Ilhavo.

Ondina Sampaio

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