Semeando...

"O Ilhavense", 1922-02-26
 Pinheirinho Manso

Era ali ao começo da ladeira de Verdemilho que ele estava. Agora, já não existe. Foi cortado. E nunca mais nossos olhos o verão. Nunca mais!
Era uma arvore verdadeiramente linda. Era mesmo, em nossos arredores, a mais graciosa e linda.
Muito generosa e benfazeja, sorria sempre a todo o viandante que passava. E, como era bela e era boa, todos se acolhiam à sua sombra.
Quis nascer à beira dos caminhos para se tornar mais util. E Deus, então, destinou-lhe a beira da estrada... E ali nasceu. E, crescendo sempre, ali se fez arvore frondosa.
Teve sempre um sorriso e carinho igual para todos. E jamais aquele belo guarda-sol de verdura se fechou para ninguem. Nunca destingiu entre o oito e o farrapo, a ventura e a desgraça. E jamais,tambem, reconheceu homem algum como estrangeiro. A todos estendia amavelmente os seus braços. E, com uma ternura imensa, a todos exclamava: - Meus filhos! A tua existência foi, para os homens, uma esplêndida lição de bondade. Viveste. Viveste muito, porque foste util. Agora já não existes. E nós só lamentamos que te houvessem levado sem aquele último adeus de nossa alma agradecida - ósculo bem prolongado e sentido na tua fronte rugosa.
AMERITELES

Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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