O convento de Ilhavo foi cedido à Camara Municipal
«O Ilhavense», entrevistando ha dias o sr. Diniz Gomes, ilustre presidente da nossa edilidade, interrogou-o sôbre o que tencionaria a Câmara fazer relativamente ao convento da Nossa Senhora do Pranto, que para ali estava ao abandono, derruindo-se, sem que aproveitasse a aquem quer que fosse.
O sr. Diniz Gomes, meio contristado e revoltado, mostrou-nos um oficio que do Ministério da Justiça lhe fôra enviado, no qual se dizia que o requerimento que a Câmara de Ilhavo lhe fizera para que lhe foosse cedido o Convento, tinha sido indeferido pelo Ministro da Justiça, visto que este ia ordenar a venda, em hasta publica, de todos os bens das congregações que a Conferencia de Haia resolvera ceder a Portugal mediante uma pequena indemnisação.
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O sr. Diniz Gomes, meio contristado e revoltado, mostrou-nos um oficio que do Ministério da Justiça lhe fôra enviado, no qual se dizia que o requerimento que a Câmara de Ilhavo lhe fizera para que lhe foosse cedido o Convento, tinha sido indeferido pelo Ministro da Justiça, visto que este ia ordenar a venda, em hasta publica, de todos os bens das congregações que a Conferencia de Haia resolvera ceder a Portugal mediante uma pequena indemnisação.
Nós, e connosco toda a gente, recebemos esta notícia que nos transmitia o sr. presidente da Câmara, de má catadura.
Podia lá ser! Então o convento havia de ir assim para mãos de particulares, quiçá dalgum individuo de fóra que aparecesse na praça, e nós, os ilhavenses, que tanto precisavamos de edificio para instalações publicas e de escolas, tinhamos de nos resignar?
Nem ao menos para o Hospital?
Enfim... Esperariamos que o facto se consumasse para depois dizermos da nossa justiça.
Amigos de Ilhavo e bons patrícios nossos é que não se conformavam com a resposta do sr. Ministro da Justiça. E coadjuvando os seus esforços, a sua boa vontade, a sua muita energia, trabalham afincadamente para que o convento seja cedido à nossa Camara.
Venceslau de Oliveira Pinto, digno administrador deste concelho, Eduardo Ançã e Artur Sacramento, reforçando um segundo requerimento da Câmara, envidam os seus bons recursos junto do sr. governador civil e doutors amigos politicos, e eis que, num belo dia desta semana, o telegrafo traz esta noticia dirigida ao sr. presidente da camara:
A Comissão Jurisdicional dos Bens das Congregações, deferiu o vosso pedido conforme é comunicado por Arnaldo Vidal, vogal da mesma comissão. - O governador civil, Lúcio Vidal.
A nova foi recebida festivamente em Ilhavo, vendo-se toda a gente satisfeita com a excelente acquisição que acaba de fazer o nosso municipio.
O convento de Ilhavo e seus anexos valem hoje alguns contos de reis. E desde que não podem ser restituidos aos seus legitimos possuidores que ao menos façam parte do nosso patrimonio municipal.
A camara tenciona reparar e preparar convenientemente o edificio cedido, para nele funcionarem as escolas primarias e algumas repartições publicas.
Está, pois, conseguido um bom melhoramento e realizado um sonho dos que viam cair para ali aquelas paredes sem que o caso do convento se resolvesse.
Andou bem o governo com a cedencia que fez e por ela cumprimentamos a camara de Ilhavo.
Convem destacar aqui a actividade do ilustre governador civil deste distrito, que tão excelentes provas tem dado dum acertado tacto politico e administrativo.
Pela parte que nos toca, como interpretes do sentir o povo de Ilhavo, aqui lhe apresentamos os nossos agradecimentos.
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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