Crónicas
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| "O Ilhavense", 1922-02-12 |
As tristes e lamentáveis consequencias que o horrivel vendaval do dia 16 de Janeiro findo deixou atraz de si, por toda esta ribeirinha região, sucederam-se as lamentações, os dós e os apelos aos corações generosos para que de pronto se acudisse às familias das vitimas que ora lutam com a miseria e a fome.
Dum outro estremo do nosso bem querido Portugal, naquela noite tragica, o vento soprou rijo e fez estragos. Mas como nesta região que as aguas banham, desde Ovar até proximo a Mira, é que não há nada que se compare, quer em prejuizos materiais, quer em perda de vidas preciosas e que foram roubadas ao trabalho e ao viver dos seus entes queridos.
Ha feito o calculo aproximado de terem desaparecido para acima de 200 pessoas. Ha cadaveres aparecidos, reconhecidos uns, e irreconheciveis outros, pelo seu estado de decomposição. Ainda agora, a quatorze dias da horrorosa tempestade, apareceram dois cadaveres a desfazerem se, arrojados à praia, não se sabendo quantos mais ainda o rio guarda em seu seio.
O primeiro brado de comiseração para com as familias dos mortos daquele dia, sei eu que partiu da Associação Naval da Figueira da Foz, e que à hora em que O Ilhavense entre a porta dos seus assinantes, um bando precatorio percorrerá as ruas daquela cidade na recolha de donativos para a mitigação das dores e da fome dos orfãos e das viuvas que ficaram sem o arrimo e o braço protector dos entes queridos.
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| "O Ilhavense", 1922-02-12 |
Bemditos sejam os que dos seus semelhantes se condoem quando os veem cobertos de luto e em guerra com a miseria e a fome. Bemditos!
Oxalá que igual sentimento se albergasse nos corações de todos os portugueses, e que duma vez para sempre se unissem e condoensse do sofrimento da nossa Patria, elevando-a no conceito do mundo inteiro.
1 - Fevereiro - 1922.
Telmo do Rio
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo
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