Correspondencias

"O Ilhavense", 1922-01-22
Vista-Alegre, 18-1-922

Aí vai a primeira correspondencia que escrevemos, este ano, para «O ilhavense».
E com franqueza, ao escreve-la sentimo-nos cheios de comoção por  vermos que este pequenino rincão, assolado, na noite de segunda para terça-feira, por um enorme e medonho temporal, nos dá a impressão de que estamos a dentro duma aldeia bombardeada.
Arvores, chaminés, muros, telhados, moinhos, tudo ficou num desmoronamento completo.
Nos lugares curcumvisinhos como sejam Chousa-Velha, Apeada, Rio Pereira, Soalhal, Ermida, etc., tambem os prejuizos são incalculaveis.
Mortes a lamentar tambem ha bastantes.
Enfim, um verdadeiro cataclismo.
Mais principios os do 1922!
Oxalá que não tenhamos, de futuro, a lamentar mais graves consequencias e que o presente ano seja de ordem e trabalho.
Oxalá não continuem as greves, tumultos e revoluções que só servem para desprestigiar, lá fóra, o nosso nome. Ainda temos bem viva, na nossa memória, a revolução de 19 de Outubro, dando-lhe a morte e aos seus companheiros Machado Santos e Carlos da Maia.
Oxalá que nos possamos libertar das garras aduncas dessa cáfila de assambarcadores que, como abutres esfaimados, nos teem roubado descaradamente.
Oxalá, Deus o queira.
"Ano novo, vida nova", dizemos também nós agora.

*

Estão quasi concluidos os trabalhos da montagem da luz electrica na fábrica daqui. É ma verdade, um importante melhoramento que vem preencher uma lacuma que ha muito se fazia sentir.
Aos ex.mos Ferreiras Pintos, as nossas felicitações.
= Encontra-se quasi restabelecido dos seus graves padecimentos, o sr. Sebastião Balacó, antigo guard-portão desta fábrica.
= Seguiram para Lisboa, os nossos amigos Angelo Chuva e Marcos Gomes. Viagem feliz!
= Tomou já posse dps destinos da Cooperativa, no presente ano, a nova direcção, que se acha animada de boa vontade e promete não transgredir em nada.
Congratulamo-nos por tal motivo.
Mas, olhem que nós somos como S. Tomé...

Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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