Carnaval
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| "O Ilhavense", 1922-02-26 |
O Carnaval é um resto do antigo salvagismo. Mas como é feito por povos civilisados, chamam-lhe o carnaval civilisado. E no entanto ha ainda hoje quem faça scenas de verdadeitos canibais e de autenticos selvagens. Carnaval pegado é esta desgraçada existencia do homem, pois que poucos tem a ombridade das suas convicções, escondendo-se, a maior parte deles, sob a mascara da hipocrisia. A humanidade inteira joga o Carnaval todos os dias. É triste diz~e-lo, mas é uma verdade confirmada e garantida.
A Igreja católica chama a estes dias o Entrudo, que quer dizer entrada do homem no tempo da penitencia. Por isso, durante estes dias em que meio mundo se diverte e blasfema, a Igreja reza e adora a Deus Sacramentado.
Se o mundi não fosse esta época de divertimentos. Na árdua tarefa de todos os dias, saibiam bem algumas horas de riso e de folgança.
Como estamos não se explica que se chame Carnaval uma época que em nada difere das outras. São só mais uns dias na ampuleta da vida
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Mas se a sociedade é assim, que ao menos cada um de nós procure divertir.se sem agravar quem quer que seja. Eliminemos o uso de certas substancias que estraagam os fatos, o cabelo e o corpo. Façamos um Carnaval civilisado no verdadeiro sentido do termo, não ofendendo com as nossas exibições, nem crenças, nem ideais nem susceptibilidades. É o que recomendamos aos ilhavenses para que ao menos o Carnaval, na nossa terra, seja diferente do Carnaval das outras regiões.
Podemos todos rir-nos, divertir-nos e gozar - se nisso ha qualquer sumo de gôzo - sem que tenhamos amanhã a picar-nos na consciencia a falta duma incorrecção, o espinho duma inconveniencia. Procuremos rir-nos mas sem fazer chocar os outros.
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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