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| "O Ilhavense", 1922-01-22 |
O adiamento do acto eleitoral, noticia que o nosso querido amigo "ilhavense" nos trouxe domingo ultimo, é um caso que nada, absolutamente nada me importa. Nada me importa pela simples razão de que não faço conta de tornar mais a votar. Pelo menos enquanto esta minha desventurada terra, este meu amado Ilhavo, donde o Estado arranca anualmente centenas de contos de reis, continuar a ser esquecida e despresada dos poderes públicos. Despresada dos poderees públicos e prejudicada no interesse dos seus rendimentos, consentindo-se que dele outros venham assenhoreando-se. Os senhores politicos, a quem essas eleições tinham de interessar, que retirem o sentido da nossa votação e que se dirijam a quem a politiquice consentiu que nos levasse o rendimento da barca da passagem da nossa formosa praia da Costa Nova do Prado e parte do imposto cobrado este ano do bacalhau entrado nas nossas secas.
Nós não temos favores nem beneficios a retribuir-lhes ou a pagar-lhes ou a pagar-lhes, entre muitas desconsiderações, afrontas e perseguições a lembrar-lhes.
Acompanhe-me todo o eleitor ilhavense, amigo da nossa terra, nesta resollução, não se iludindo com promessas, porque de promessas estamos nós fartissimos.
A falta de sentimentoos e a isenção de caracter são os predicados mais deprimentes e degradantes que se podem incutir no ânimo das pessoas de bem. Por isso, patricios amigos, queiramos provar que somos gente de sentimentos e de caracter, capaz de não esquecermos nessa hora em que se jogam as consciencias, todo o despreso a que temos sido atirados!...
Ilhavo, 1922
JOÃO DE MATOS
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo
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