Mãe
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| "O Ilhavense", 1921-12-25 |
Mãe
Para os orfãos da minha terra
Mãe!... Três letras só! Mãe!... Bendita prece!...
Palavra assim só, Deus soube fazê-laM
Formou-a semelhante a uma Estrêla,
Que é grande, e pequenina nos parece!...
Mae, não a tenho!... E, para concebê-la,
Eu olho o Sol... Tam longe e sempre aquece!...
Assim a Mãe!... E, embora já morresse,
É p'rá minh'alma um sol sempre a aquecê.la!...
Desta palavra Mãe, o seu primor
O que ela vale e pesa em seu amor,
A gente nunca o pode saber bem...
Lágrimas de orfão mostram o seu valor...
Pois só no mundo sabe o que é ter Mãe,
Aquele que a deseja... e não a tem!...
António Maria Lopes
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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