Coisas de Arte
Porque não se fundem as duas musicas da nossa terra
Em Ilhavo, todos reconhecem que não há uma banda que nos honre. Terra grande e populosa e cujos habitantes geralmente teem manifestas aptidões para a Arte, é bastante lamentável que não possamos mostrar aos estranhos que nos visitem uma música de reputação e de nomeada.
Assim é que frequentemente ouvimos dizer a pessoas que se interessam pelo progresso da nossa terra: "se ambas as musicas são fracas, porque se não fundem para formar uma só boa?" O Ilhavense foi procurar resposta para essa pergunta que tantas vezes ouvimos fazer. Quizemos procurar os mestres de ambas e ouvi-los; um deles não vive aqui e esse facto obrigou-nos a seguir outro caminho. Ambas teem comissões. Ouvindo um dos seus membros, teriamos satisfeito os nossos desejos. Eis o que fizemos. Domingos Ramalheira pela musica Velha e Carlos Bilelo pela Nova prontificaram-se a elucidar-nos
Domingos Ramalheira, à vontade e imprimindo as suas palavras uma franqueza rude, declara abertamente que a musica está decadente. A falta de elementos e outras circunstâncias influem deveras para isso. "Não vejo possibilidade de que, brevemente, só com os seus elementos, a musica Velha possa progredir sensivelmente. Musicos novos poucos se hão-de fazer porque a todos abrasa a febre da ambição. Ninguem quer ganhar pouco.O mar e a América é que dão fortunas. Unir as duas bandas? Impossivel, absolutamente impossivel. Assim, em Ilhavo, ha duas musicas, embora fracas. Unidas, darão tambem uma que não pode ser boa. Desvantajosa e impossivel sob todos os ppontos de vista essa união. Antes separadas. Assim não progriderá mas pelo menos não morre. Tem ainda muitas dedcações."
Falam os da Nova
Carlos Bilelo recebe-nos amavelmente e responde ao seguinte modo ao nosso inquerito: "A musica Nova está em baico, não posso nega-lo, mas com tendencia para progredir. Temos perdido muitos musicos que nos fazem falta bastante. Hão-de fazer-se outros, tenho fé. A musica atravessa agora uma fase de evolução. Entretanto, embora com sacrificios as festa fezem-se. A fusão das duas é que não pode dar-se nunca, porque só trazia desvantagens e grandes. Depois de unidos, reapareceia do mesmo modo uma musica sem merecimento. Não poderia viver só com os seus elementos. Assim separados ha ao menos a vantagem de não acabarem. O capricho sustem-nas. Acreditem que noo dia em que se unirem as duas musicas ter-se-ia dado um mau passo. Alem de impossivel essa união é contraproducente.
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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