Coisas de Arte


Porque não se fundem as duas musicas da nossa terra

"O Ilhavense" entrevista representantes das comissões de ambas.

Em Ilhavo, todos reconhecem que não há uma banda que nos honre. Terra grande e populosa e cujos habitantes geralmente teem manifestas aptidões para a Arte, é bastante lamentável que não possamos mostrar aos estranhos que nos visitem uma música de reputação e de nomeada.
Assim é que frequentemente ouvimos dizer a pessoas que se interessam pelo progresso da nossa terra: "se ambas as musicas são fracas, porque se não fundem para formar uma só boa?" O Ilhavense foi procurar resposta para essa pergunta que tantas vezes ouvimos fazer. Quizemos procurar os mestres de ambas e ouvi-los; um deles não vive aqui e esse facto obrigou-nos a seguir outro caminho. Ambas teem comissões. Ouvindo um dos seus membros, teriamos satisfeito os nossos desejos. Eis o que fizemos. Domingos Ramalheira pela musica Velha e Carlos Bilelo pela Nova prontificaram-se a elucidar-nos

Falam os da Velha
Jornal "O Ilhavense", 1921-11-27

Domingos Ramalheira, à vontade e imprimindo as suas palavras uma franqueza rude, declara abertamente que a musica está decadente. A falta de elementos e outras circunstâncias influem deveras para isso. "Não vejo possibilidade de que, brevemente, só com os seus elementos, a musica Velha possa progredir sensivelmente. Musicos novos poucos se hão-de fazer porque a todos abrasa a febre da ambição. Ninguem quer ganhar pouco.O mar e a América é que dão fortunas. Unir as duas bandas? Impossivel, absolutamente impossivel. Assim, em Ilhavo, ha duas musicas, embora fracas. Unidas, darão tambem uma que não pode ser boa. Desvantajosa e impossivel sob todos os ppontos de vista essa união. Antes separadas. Assim não progriderá mas pelo menos não morre. Tem ainda muitas dedcações."

Falam os da Nova

Carlos Bilelo recebe-nos amavelmente e responde ao seguinte modo ao nosso inquerito: "A musica Nova está em baico, não posso nega-lo, mas com tendencia para progredir. Temos perdido muitos musicos que nos fazem falta bastante. Hão-de fazer-se outros, tenho fé. A musica atravessa agora uma fase de evolução. Entretanto, embora com sacrificios as festa fezem-se. A fusão das duas é que não pode dar-se nunca, porque só trazia desvantagens e grandes. Depois de unidos, reapareceia do mesmo modo uma musica sem merecimento. Não poderia viver só com os seus elementos. Assim separados ha ao menos a vantagem de não acabarem. O capricho sustem-nas. Acreditem que noo dia em que se unirem as duas musicas ter-se-ia dado um mau passo. Alem de impossivel essa união é contraproducente.
 
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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