Ainda sobre o passeio a Sôza
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| "O Ilhavense", 1922-01-08 |
Sr. Director:
Permita-me a inclusão, no seu conceituado jornal, dumas linhas respeitantes ao jogo de «foot-ball» realizado em Sôza, no dia 26 do mez findo, com os grupos Ilhavense e Sôzense.
Deparei com a epigrade na secção sporiva do seu jornal "Um arriscado passeio a Sôza.»
Tenho a dizer-lhe, para elucidação dos leitores do seu jornal, que o cronista da dita secção, não quiz dizer a verdade do incidente passado entre o povo das duas vilas, nem descrever o jogo como foi.
Não deixo de dizer que alguns jogadores do Sozense, se tornaram um pouco violentos para os seus visitantes, mas a razão é de serem uns insipientes no jogo bretão, tornando-se desculpavel qualquer falta, por este motivo. Exagerando, está o referee, quando tenha competencia, para pôr termo a qualquer irregularidade.
O que dirigiu a partida do segundo half-time, tornou-se um pouco parcial e com alguma falta de energia, pois deixou correr o jogo à mercê dos jogadores... ocasionando-se daí o conflito.
Antes de se dar este díssabor, para mim tão lamentavel, entre os dois povos amigos, devia pôr fóra do jogo os dois adversarios Berardo e Leite. Pois aquele querendo corrigir uma falta deste, à bofetada, promoveu a invasão do campo pelos espectadores, sendo os ilhavos os primeiros, como V. sabe. Os assistentes desta vila, vendo o resultado, opuzeram-se e com razão.
Os sôzenses "terão imenso que aprender" para receber hospedes com "cortesia e delicadeza".
A causa do seu procedimento não é a que parece, pois jogaram já com diversos grupos e com todos teem ficado de boas relações sportivas. Só com os ilhavos sucedeu o contrario. De quem foi a culpa? Todos os que assistiram ao jogo sabem, querendo ser positivos.
No jogo realizado no domingo depois deste, no campo da Vista entre um grupo de Aveiro e o de Ilhavo, quem deu tambem origem para que o capitão da equipe aveirende convidasse os seus companheiros a sairem fora do campo sem que terminasse o jogo? De duas uma: ou má arbitragem do referee, que era de Ilhavo; ou mai proceder dos jogadores da sua terra.
Para mais os leitores saberem que a noticia do n.º 7 (433) deste jornal não merece os louvores que o cronista lhe quer dar, ficarão scientes que a defeza sôzense vendo-se impotente para reagir as cargas do quinteto ilhavense, comete um corner contra si, onde o grupo miscelaneo com conhecimentos ilimitados, não sendo nada atacados pelos rubros-brancos, regustam 3 corners par o seu "onze".
Os ilhavos reconhecerão melhor as qualidades morais destes rapazes, quando estes tiverem o prazer de se encontrarem em jogo com os pretos e brancos em campo que lhes pertença.
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| "O Ilhavense", 1922-01-08 |
Sôza, 1922.
Antonio Neta.
Publicando a carta do sr. Antonio Neta, como manda a nossa lialdade jornalistica, resta-nos o direito de lhe fazermos os comentarios que ela nos sugere.
Faz bem o nosso prezado amigo em procurar justificar a atitude dos seus conterraneos, no dia do desafio em Soza. O seu gesto é-nos muito simpatico.
Mas... nada ha que tira da gente de Ilhavo a impressão desagradavel que trouzeram da sua terra.
Se o arbitro tivesse procedido como lho impunham as leis do jogo, expulsando do campo os que em vez de jogo de «foot-ball» jogavam a canela e o box, então depressa terminaria o desafio por falta de jogadores do «team» de Soza, pois que estes outra doisa não fizeram durante os dois half-times, do que dar pinhões, empurrões, murros, etc., misturado com uma enxurrada de ameaças. De ameaças!!!
A intervenção dos espectadores de Ilhavo no campo, facto averiguado e não contestado, deviam-na ter impedido os jogadores de Soza, procedendo com lealdade e com cortezia, pois que essa intervenção explica-se pelo simples facto, de um jogador do grupo de Soza, acintosa e propositadamente a ter provocado.
O referee não procedeu com energia? Concordamos. Mas isso depõe só em seu favor, pois que estando numa terra estranha, não quiz proceder contra os jogadores dessa terra, para que não dissessem que o fazia por parcialidade.
Pregunte ao sr. Neta aos proprios jogadores de Soza quem os obrigou a sair do campo com dores em diferentes partes do corpo, provocadas pelos pinhões dos seus proprios camaradas...
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| "O Ilhavense", 1922-01-08 |
Não é tanto assim. Aveiro já jogou em Sôza e fez uma cruz muito grande ao passar da ponte. Convidado ha pouco para ir já novamente jogar, respondeu-lhes que só iria com uma força da guarda republicana!!!
Atitude da parte dos espectadores... nem se discute.
Pessoalmente dissémos já ao nosso amigo Neta os insultos e as ofensas, que o director deste jornal recebeu quando julgava que fazia bem intervindo num sentido conciliatório.
Escapou... por milagre.
Sôbre o que se passou no ultimo domingo na Vista Alegre, ha um grande equivoco da parte do sr. Neta. O capitão da equipe aveirense não convidou os seus companheiros a saírem do campo, como afirma o sr. Neta.
Não tendo sido marcada pello referee uma penalidade ao grupo de Ilhavo, os jogadores entenderam protestar parando a bola e levantando os braços.
O sr. Alberto Mendonça viu nisso uma desconsideração pelo lugar que desempenhava e depôs o apito, retirando-se.
Todos lhe foram pedir, incluindo os jogadores de Aveiro, para que continuasse a arbitrar o desafio. Alberto Mendonça não transigiu e foi substitui-lo o sr. Francisco Ramalheira.
Isto, e só isto, foi o que se passou.
E por agora, mais nada.
Sôbre o que se passou no ultimo domingo na Vista Alegre, ha um grande equivoco da parte do sr. Neta. O capitão da equipe aveirense não convidou os seus companheiros a saírem do campo, como afirma o sr. Neta.
Não tendo sido marcada pello referee uma penalidade ao grupo de Ilhavo, os jogadores entenderam protestar parando a bola e levantando os braços.
O sr. Alberto Mendonça viu nisso uma desconsideração pelo lugar que desempenhava e depôs o apito, retirando-se.
Todos lhe foram pedir, incluindo os jogadores de Aveiro, para que continuasse a arbitrar o desafio. Alberto Mendonça não transigiu e foi substitui-lo o sr. Francisco Ramalheira.
Isto, e só isto, foi o que se passou.
E por agora, mais nada.
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo



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