Quem nos diz?

"O ilhavense", 1921-12-11

À cerca da noticia que aqui démos no ultimo numero do nosso jornal com esta epigrafe, recebemos a seguinte informação:

«Quem foi dizer ao Ilhavense que a Camara comprou, em tempos, seis camas, e que destas desaparecerem algumas, faltou indecorosamente à verdade.

A Câmara comprou apenas quatro camas quando esteve para ser criado um posto da Guarda Republicana. Dessas quatro camas, uma está na administração do concelho para uso do policia aqui em serviço, e três estão armadas no Hospital por a Camara não ter casa apropriada onde as guarde. Fica assim satisfeita a curiosidade do zeloso informador do Ilhavense.

A proposito registemos o seguinte: Porque razão se fazem a cada passo, nos jornais da terra, impertinentes referencias apenas ao que se passa na Camara, e se deixam no escuro todas as outras repartições concelhias e mais serviços publicos?

Não haverá por lá nada a que fazer menção?

Tudo corre no melhor dos mundos possiveis e a contento das partes?

Se assim é louvemos com fervor ao Pae do Ceu, por tantas mercês dispensadas a este bom Povo!...

Talvez assim seja, mas ha-de sempre lembrar-nos o rifão do ti Afecto quando lhe censuravam o abuso da pinguinha: - Todas nós pêgas, temos apenas brancas... e negras.

Efim, cada um é para o que nasce. Tristes palhas eram aquelas em que veio ao mundo uma infeliz Câmara.

O que lhe vale é que o martirio não lhe dura muito, e depois é que teremos de esterrecer ante os beneficios, serviços e partes correlativas dos super-homens que lhes hão-de hordar a cruz... de ferro!

A vêr vamos, como dizia o cégo da sanfôna.»


 Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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