O nosso aniversário


Jornal "O Ilhavense", 1921-12-04

Quando um povo faz um jornal a apoteose e a manifestação de simpatia que "O Ilhavense" foi alvo no domingo penultimo, à noite, ninguem duvide de que esse jornal envereda pelo bom caminho e está no melhor campo.
Ante uma tão sugestiva e expontanea manifestação a nossa aluna comove-se e ajoelha agradecida, cheia de entusiasmo e cheia de entusiasmo e cheia de esperança no ressurgimento dum povo que tem todas as condições de vetalidade.
Mais uma vez ficou provado que o povo desta terra tem pelo nosso jornal uma simpatia tão grande que é justo que se lhe dê foros de veneração.
Na verdade "O Brado" - hoje "O Ilhavense" - jamais eixou de trabalhar com denodo, com coragem, cheio de energia e de Fé pelos destinos do nosso querido Ilhavo, pelo futuro desta bendita terra, deste rincão adorado, que muitos amarão tanto como nós, mas que ninguem - absolutamente ninguem - ama com mais calor, com mais enternecido e acrisolado efecto.
Nascidos nesta linda terra, embalados nela, arrolados pelo bramir poético do nosso mar, alumiados por este sol tão belo que nos deslumbra e tendo a cobrir-nos o ceu azul que sobre nós paira, poucos, como nós, teem sabido levantar bem alto o nome desta terra, e confessando, sem tibiezas e sem pedantismos, o nosso glorioso titulo de ILHAVENSES!
Percorrei as colunas do nosso jornal, nos seus 10 anos de existência atribulada e tempestuosa, notaí brm os nomes de todos os nossos queridos colaboradores, e dizei-nos depois, com a consciencia limpa de sectarismos e de paixões, se o nosso jornal alguma vez atraiçoou a sua missão e se os nossos colaboradores não são todos os que desta terra teem procurado fazer um eden terreal, levantando-a ao nivel da sua aspiração e do progresso a que tem jus.
Um jornal assim não poderia deixar de receber do povo de Ilhavo aquelas homenagens que no domingo penultimo nos vieram trazer e que são as flores do ser reconhecimento e da sua simpatia.
Nós, animados mais ainda, se tal é possível, com essas demonstrações de afecto, aqui juramos de novo a todos que, enquanto não morremos, continuaremos sem medo e sem desfalecimentos, a gritar bem alto para que todo o mundo nos oiça:
Por Ilhavo!
Pela nossa terra! 

 Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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