O Monge

"O Ilhavense", 1921-12-18
Ha quantos anos na caverna escura,
Da agitação do mundo separado,
Está êsse velho, numa paz-candura
A que já tem o oração ligado!

Naquela mansa, perenal tristura
Vice sózinho, e sempre confortado,
Por ter na alma forte Crença pura
Dum Bem supremo que lhe está guardado!

E nunca sai dali aquela Alma!
Só altas horas, quando a noite é calma,
E apenas, triste, ao longe, o mar estua,

- É que Êle assoma à beira da caverna.
E só então, numa inocencia terna,
Fala de brancas mansidões à lua!...

David Rocha

Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo 

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