No clube dos novos - Matinés elegantes
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| "O Ilhavense", 1921-12-25 |
O «Club dos Novos» velha agremiação que à mocidade da nossa terra tem proporcionado os mais diliciosos momentos de encanto e de arte, é atualmente o rendez-vous obrigatorio da mocidade, aos domingos, pela tardinha.
Apraz-nos registar este facto.
As matinées que ali se vão realisando, teem decorrido tão animadas, tão cheias dum calor que os corações ardentes dos nossos moços e das nossas lindas meninas tem o condão de comunicar a estes divertimentos, que não dar deles uma noticia circunstanciada era faltar a um dever de consciencia.
"A mulher é o perfume da arte." E, com efeito, sem ela parece que não há vida, não ha poesia nem arte. Ela é bem o incenso do Sol, tendo como turibulo a propria Arte".
Pois é verdade. Dançou-se e bem, no domingo passado.
Ás 4 horas começou o borborinho. A onda diluviana do entusiasmo cresce. Ha olhares que se admiram com embevecimento. A fanfarra da Vista-Alegre zumbe. Ouvem-se, no tom dolente que os caracteriza, os «foz-trots» e os «one-step». Tremem na atmosfera os corpor belamente tanagrias das bailarinas, das bailarinas por amor, por alegria. Chocam-se sorrisos, espiritualizam-se olhares - olhares arrebatamento de amor.
E tudo dança, minha gente! E tudo brinca numa ondulação sintética de ansiedade, num fervor de alegria, numa clareira divina de entusiasmo!
Pois que a mocidade ria sempre, brinque sempre, num respeito mútuo. Se assim fôr, temos a certeza de que jámais lhe serão fechadas as portas do "Club dos Novos" - velha agremiação desta terra.
Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

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