Na Vista-Alegre

Uma brilhante estreia

"O Ilhavense", 1921-12-25
Tinham corrido vagos rumores de que a «Troupe Dramatica e Musical Recreio da Vista-Alegre» faria a sua estreia no teatro daquele lindo logar, no sabado passado.
De facto, nesse dia de manhã, começaram a ser distribuidos os prospectos, anunciando ao orbe o excelente acontecimento.
Os rapazes e as raparigas da Vista-Alegre são uma mocidade cheia de brios e de bom gosto artistico. Tudo quanto por eles fôr desempenhado, é sabido que o é magistralmente. Cheios de vida, cheios dum élan que é raro nas camadas operárias, a mocidade da Vista-Alegre brilha em toda a parte e sempre, porque, alem de estudiosa, é sublimemente briosa.
Honra lhes seja!
Claro que, anunciando-se a estreia da nova «Troupe», O Ilhavense nestas coisas é sempre dos primeiros, pois que vai nisso o bom nome da nossa terra que muito prezamos.
Ás 8 e meia entramos no teatro. Pouca gente. Um amigo querido, que é da «Troupe» é o ponto, vem ao nosso encontro. Algumas palavras de incitamento e de coragem e fomos para o lugar que a casa nos destinára e que nós aqui muito lhe agradecemos.
Ás nove horas sobe o pano, estando a casa regularmente concorrida. Um pouco antes da subida do pano o grupo musical composto de 15 artistas e regido superiormente pelo novel maestro sr. José Cardoso Pereira, irrompe com uma intusiástica alta sinfonia. Ao proscénio vem depois o sr. Raul Monteiro que apresenta a "Troupe". Diz que é composta de novos sem experiencia ainda da vida, mas todos animados de boa-vontade. Pede para as faltas indulgencias e agradece a comparencia do publico.
Seu pequenino descurso foi coroado com uma salva de palmas.
A orquestra toca a seguir o "Hino da Troupe" cuja musica é original do nosso amigo e distinto maestro, sr. Berardo Pinto Camelo.
A seguir é apresentada a chistosa peça em 3 actos «Moços e Velhos».
"O Ilhavense", 1921-12-25
O seu desempenho foi excelente. Clotilde de Almeida e Laurinda Pimentel saiem-se admiravelmente nos papeis de Ana Mendonça e Quiteria Lopes. Julio Catarino é magistral no papel de Sebastião Lopes. Augusto Serra tem a plateia em constante gargalhada do papel de Felix Mimoso, e Palmiro da Silva Peixe coroa galharda e brilhantemente este lindo ramalhete de artistas no famoso papel de Luiz Pereira.
Belamente representada a comedia, não podia a "Troupe" deixar de receber do publico a ovação que lhe foi feita.
A orquestra toca novos e famosos trechos do seu selecto reportorio. A. Faca recita muito bem "O Terrivel".
E tão agradavel noite de arte terminou com a interessante comedia em um acto "Guerra aos Nunes".
No final foram chamados ao palco os actores e os incansáveis ensaiadores srs. Henrique Cardoso e Viriato Franco.
A récita repetiu-se no domingo, constando-nos que no >"Salão da Caridade" virá a «Troupe» dar uma soirée, muito brevemente.
Ao novo grupo de artistas envia O Ilhavense as suas saudações.



Fonte: Biblioteca do Museu Marítimo de Ílhavo

 

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